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Produções interativas crescem e ganham cada vez mais espaço

Se você cresceu no Brasil na década de 90 deve se lembrar bem de um programa de TV que reunia a família em torno de decisões impactantes que poderia mudar o rumo da história fictícia narrada. Era o “Você Decide”, programa interativo exibido pela Rede Globo entre 1992 e 2000. Foram exibidos mais de 300 episódios onde o telespectador podia escolher o final da trama votando pelo telefone. O telefone, aliás, era na época a maneira mais rápida de conseguir alguma interação com o público. Hoje, com tantas ferramentas possíveis e o advento da internet, narrativas guiadas pelo público estão ganhando cada vez mais espaço, trazendo um pouco de nostalgia ao público brazuca que cresceu escolhendo os finais de “Você Decide”.

É o caso da Netflix, provedora global de filmes e séries de televisão via streaming, que estreou uma narrativa interativa com o filme de ficção “Bandersnatch”, que transita no mesmo universo da série antológica Black Mirror. Escrito pelo criador da série, Charlie Brooker e dirigido por David Slade, foi lançado na Netflix em dezembro de 2018 e trouxe ao espectador a possibilidade de fazer escolhas pelo protagonista da história, um programador de games tentando lançar um novo jogo na década de 80. As escolhas passam desde o cereal matinal que o personagem deveria comer até matar ou não alguém. Dependendo das escolhas de quem está assistindo, a trama segue por diversos caminhos, revelando desfechos diferentes. Há um momento, inclusive, em que o protagonista da trama é informado pelo espectador que está sendo controlado por alguém assistindo à Netflix – uma ousada jogada.

Mas a novidade chegou com uma limitação tecnológica – aparelhos de Smart TV, smartphones     ou notebooks com sistemas operacionais antigos ficaram de fora da “brincadeira”, o que acabou frustrando parte do público que não pôde vivenciar a experiência.

Já em 2019, a Netflix trouxe outro projeto interativo para o público. A série “Você Radical” tem à frente o aventureiro Bear Grylls e o público o ajuda a escolher suas ações em meio à natureza. Os episódios são curtos e trazem a mesma leveza dos famosos programas comandados por Grylls na TV fechada, onde ele conversa com o espectador em primeira pessoa. A diferença entre “Você Radical” e “Bandersnatch” é que, pela natureza da série, o público sabe que Bear Grylls vai concluir sua aventura e não será ferido, ficando impedido de tomar decisões “drásticas”, digamos assim, como no longa fictício.

Na crista da onda, a gigante de tecnologia Google está investindo em programação interativa para sua plataforma de vídeos mais famosa, o YouTube. A informação é da Bloomberg, que revela que o YouTube já conta com uma equipe dedicada a desenvolver esse tipo de conteúdo, sob a supervisão de Ben Relles, um veterano que há 8 anos trabalha na empresa. A expectativa é que o conteúdo produzido pelo YouTube inclua também produções ao vivo e não apresente as mesmas limitações técnicas já expostas pela Netflix.

Por Camila Mitye
Equipe Zap

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