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Fake news: como combater esse mal contemporâneo?

Fake news – desde 2016, esse termo tem sido amplamente utilizado ao redor do mundo, sendo até classificado como “palavra do ano” pelo dicionário em inglês da editora britânica Collins no ano seguinte. Mas afinal, o que são essas tais fake news, ou notícias falsas em tradução literal, e como combatê-las? Entre os especialistas ainda há uma grande dificuldade em conceituar o termo, mas é possível encontrar elementos que podem classificar uma informação como notícia falsa.

O fenômeno ganhou grande destaque desde as últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos da América, onde uma grande onda de perfis falsos em redes sociais disseminava notícias falsas com objetivo de interferir no resultado das eleições. O vencedor do pleito, Donald Trump, utiliza o termo com frequência em suas falas e pode ter contribuído para a popularização da expressão que teve um aumento de 365% em suas menções no ano de 2017.

De maneira simples, pode-se dizer que fake news são publicações que viralizam em redes sociais, apresentam informações comprovadamente falsas, possuem formato que simula o estilo jornalístico para enganar o público e têm autoria oculta. Elas geralmente possuem motivação econômica, política ou de disrrupção (que é quando alguém quer “sabotar” o sistema), sendo amplamente espalhadas por usuários engajados, fazendas de perfis ou robôs.

No Brasil, o atual momento político eleitoral tem sido cenário propício para o alastramento das fake news. O ambiente digital de rápida comunicação e a dominância da pós-verdade (quando as pessoas passam a não se importar se é verdade ou não aquilo em que creem) podem favorecer ainda mais o derramamento dessas mentiras travestidas de verdade. Além disso, os filtros e algoritmos sistematizados em redes sociais acabam colocando os usuários em “bolhas” enviesadas onde opiniões e visões distintas dificilmente passam perto, dificultando o acesso ao contraditório.

O jornalista e doutor em educação Rodrigo Ratier explica que é preciso competência do leitor para interromper o fluxo de compartilhamento das notícias falsas. “No Brasil não temos o hábito e nem nos currículos escolares a ideia de alfabetização midiática, o que acaba gerando incompreensão. Um simples exemplo é quando as pessoas não conseguem dissociar artigos de opinião de matérias jornalísticas, que possuem estruturas e objetivos muito diferentes”, diz. Rodrigo é um dos criadores do projeto “Vaza, Falsiane!”, curso online que pretende auxiliar as pessoas a entender – e combater – fake news e desinformação. O projeto foi incubado pela ONG Repórter Brasil e venceu um edital de financiamento do Facebook.

Ratier cita algumas soluções para combater esse mal contemporâneo, como mais ação da tecnologia (como tem feito o Facebook com a verificação de notícias falsas e a exclusão de milhares de perfis robôs); uma legislação mais contundente, com maior participação do Estado; no campo mercadológica mais abertura para agências de fact-checking, as verificadoras de verdade; e um amplo programa de educação para a mídia, uma solução mais duradoura que exige ações em escolas e no marco formal de ensino brasileiro.

Ou seja – combater esse fenômeno exige esforços de diversas esferas, mas basicamente o investimento em educação e a criação de ferramentas que dê ao leitor a maior segurança possível no consumo de informação, devolvendo ao bom jornalismo produzido no Brasil a credibilidade que tem sido injustamente colocada em cheque. Afinal, mais do que defender esta ou aquela verdade, o objetivo das fake news, como afirma o escritor norte americano Tom Rosentiel, não é fazer as pessoas acreditarem na mentira, mas fazê-las duvidar de todas as notícias.

Por Camila Mitye
Equipe Zap