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Escola no Tocantins é eleita a melhor nova obra de arquitetura do mundo

O projeto arquitetônico de uma escola internato construída no Tocantins foi premiado internacionalmente nesta semana. Anunciado na terça-feira, 20, o vencedor de melhor nova obra arquitetônica do mundo do Prêmio Internacional RIBA de 2018 foi a “Aldeia das Crianças”, que integra o complexo escolar da Fundação Bradesco de Canuanã, situado na zona rural de Formoso do Araguaia, região sul do Tocantins, e inaugurado há 45 anos.

A escola rural brasileira concorria ao prêmio internacional com outras 20 construções de 16 países e desbancou projetos de Budapeste, Milão e Tóquio, que estavam entre os quatro finalistas. Ao divulgar o vencedor, o Riba justificou a escolha pela escola brasileira por “exemplificar a excelência em design e a ambição arquitetônica e oferecer um impacto social significativo”.

Assinado pelos arquitetos Gustavo Utrabo, Petro Duschenes, do escritório Aleph Zero, em colaboração com Marcelo Rosenbaum e Adriana Benguela, do escritório de arquitetura e design Rosenbaum, o projeto parte de um diálogo aberto e intenso com a comunidade local, professores e administração, que também utilizam o espaço como dormitório.

A escola foi organizada em duas vilas, uma masculina e outra feminina. Os antigos dormitórios foram transformados em 45 unidades para seis alunos cada, com o objetivo de reduzir a quantidade de alunos por quarto, melhorando a qualidade de vida das crianças e mantendo a individualidade. Sala de TV, espaço para leitura, varandas, pátios e redários também integram o espaço habitado pelos jovens.

Na obra, concluída em 2017, foram usados recursos locais e técnicas construtivas da região, entre eles, tijolos artesanais que foram usados para construir paredes e treliças, e que foram escolhidos por suas propriedades térmicas, técnicas e estéticas. Um telhado extenso com toldo e estrutura composta por colunas e vigas de madeira laminada garante ao local um ambiente com sombra e ventilado.

Totalmente gratuita, a escola oferece assistência médica e odontológica. Além disso, os estudantes fazem seis refeições por dia com acompanhamento de uma nutricionista e recebem material didático e uniformes. O ingresso se dá por meio de processo seletivo.

Mais de 840 alunos de 13 a 18 anos moram e estudam na unidade escolar, em sua maioria jovens de baixa renda que vivem em regiões afastadas da capital, Palmas, além de indígenas da aldeia Canuanã, que fica próxima ao local. A escola tem turmas do 2ª ano do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio, além de mais um ano de curso profissionalizante de técnico em agropecuária.

Por Camila Mitye
Equipe Zap