Sociedade

Crianças usam a tecnologia cada vez mais – e mais cedo

Quanto tempo seu filho passa por dia olhando para alguma tela? Já parou para fazer essa conta? Quem tem filho sabe que as telas (TV, celular ou tablet) são grandes aliadas na hora de conter algumas crises diárias. Mesmo com o questionamento constante de especialistas sobre o assunto, é a telinha que ajuda a fazer a criança ficar quieta enquanto espera o médico chamar, a não dormir no carro ou até a fazer uma refeição quieta. Mas é preciso refletir sobre essa aliada, a tecnologia, para que não se torne uma vilã com seu uso inadequado.

Pesquisa realizada pela revista CRESCER, referência quando o assunto é temas relacionados ao mundo infantil, trouxe números impressionantes sobre o uso da tecnologia pelas crianças. Segundo o levantamento que ouviu 2.044 pais e mães (com filhos de 0 a 8 anos), 38% das crianças com menos de 2 anos já possuem algum dispositivo digital (celular, tablet, computador, videogame ou TV). Se comparado à última análise realizada pelo veículo especializado, percebemos um crescimento de mais de 500% – em 2013 esse número chegava a apenas 6%. Esse aumento demonstra a rapidez com que as crianças passaram a ter acesso às telas nos últimos anos – uma tendência que dificilmente recuará.

Mas, sejamos realistas: é impossível imaginar a infância atualmente longe dos gadgets e do acesso à internet. Um dos motivos é que nós mesmos – os adultos –  vivemos grudados nos smartphones e afins 24 horas por dia, reféns dos novos meios de nos comunicar, trabalhar e nos divertir. Acabamos então, em um dilema moral: ensinar aos filhos que não é saudável utilizar a tecnologia em excesso quando praticamos exatamente o contrário.

Além disso, as orientações são constantemente revistas. Em outubro de 2017, a Academia Americana de Pediatria lançou um documento que afrouxa um pouco algumas de suas antigas indicações. O primeiro contato com o universo digital, por exemplo, que antes só deveria ocorrer após os 2 anos de idade segundo a organização, agora é admitido a partir dos 18 meses, desde que com supervisão e participação ativa dos pais.

Mas a pesquisa também trouxe boas notícias – o número de pais e mães que utilizam as telas com os filhos nas refeições ou na hora de dormir caiu de 2013 para cá. Se há cinco anos esse número chegava a estarrecedores 84%, agora apenas 37% dos respondentes recorrem ao recurso na mesa e 23% na hora de dormir. Reflexo do grande número de informações que circulam nas redes sobre os malefícios desses hábitos e da mudança de comportamento das famílias frente à tecnologia – afinal, enquanto ela evolui, a forma de inseri-la na educação dos filhos vai se adaptando.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido até que haja um consenso sobre a partir de quando e por quanto tempo seria ideal o acesso à tecnologia e todas as suas possibilidades. Talvez nem cheguemos a este consenso. Enquanto isso, a “regra” pode ser algo como manter o bom senso com uma rotina saudável, dividida entre obrigações e momentos de diversão, com o uso de telas, sim, mas com acompanhamento e limites de tempo. E para dar o exemplo, que tal nós adultos também estabelecermos limites e nos desligarmos um pouco?

Por Camila Mitye
Equipe Zap

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