Internet Sociedade

A polêmica dos likes escondidos – precisamos mesmo deles?

Foi o assunto mais falado da semana e não é por menos – quando uma das maiores redes sociais do mundo, o Instagram, retirou de vista dos usuários o número de curtidas nos posts alheios, alguns questionamentos foram levantados. Você pode ou não concordar com os argumentos da plataforma de compartilhamento de imagens e vídeos, mas tem que admitir que é preciso refletir sobre o tema. Afinal, precisamos mesmo de curtidas?

Nós antecipamos esse passo que seria dado pelo Instagram aqui no blog no mês de abril, mas só nesta semana a rede iniciou a fase de testes no Brasil. Agora, só o dono do perfil poderá ver o número de curtidas e de visualizações de suas fotos e vídeos. De acordo com a rede social, a decisão é parte de uma série de ações que buscam transformar a plataforma em um espaço menos tóxico para a saúde mental de quem a usa.

Já é notório para quem tem nas redes sociais algum tipo de negócio que as curtidas (ou likes, em inglês), já não refletem exatamente o comportamento dos usuários. Há inúmeros pontos a serem levados em conta quando o assunto é métrica de desempenho em redes sociais. Você já deve ter ouvido falar em termos como engajamento e alcance orgânico – são detalhes que contam muito mais do que um simples “coraçãozinho” em uma postagem. Há inúmeras empresas e profissionais que trabalham colhendo relatórios e planejando ações para aumentar a produtividade de marcas e personalidades nas redes, incluindo o Instagram. Portanto, esse novo passo do Instagram não deve afetar tanto o mercado.

Um ponto importante sobre esse debate diz mais respeito ao comportamento da sociedade em si, do que do mercado. Afinal, toda essa perseguição por likes, a comparação e os milhares de seguidores provocaram, nos últimos anos debates sobre a influência das redes sociais na autoestima e na saúde mental da população. O fenômeno dos digitais influencers, pessoas comuns (sem dotes artísticos, digamos) que se tornaram as celebridades da internet, põe mais lenha na fogueira, já que eles ditam as tendências e alimentam a corrida pelas curtidas.

Influencers

Além disso, muito se pergunta sobre a realidade por trás de tantos “K” (ou cada milheiro de likes que os influencers esbanjam). A polêmica do tema começou quando começaram a aparecer as primeiras fazendas de likes, onde eles são “cultivados”, em lugares como a China e a Rússia. Funciona da seguinte maneira – um monte de smartphones ficam conectados à internet 24 horas por dia e sete dias por semana e vão gerando curtidas e compartilhamentos aleatórios nas páginas e perfis das empresas e pessoas contratantes do serviço. Quando os números de seguidores de um usuário eram extremamente maiores do que as respostas em suas postagens (em números de curtidas no post e comentários), dava para desconfiar da veracidade daqueles números.

Se essa novidade será permanente, se provocará novos comportamentos e se será acompanhada por outras redes só o futuro dirá. Por enquanto, a ideia é aproveitar a interatividade e a as possibilidades de expressão facilitadas pelas plataformas como o Instagram, fugir de comparações e deixar de se preocupar tanto com a aprovação do “público”.

Por Camila Mitye
Equipe Zap